Aconchego

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Todos esses anos, e eu aqui,

falando com você 

como se eu não estivesse presente. 



Tocando meu corpo à noite e me dando conta 

de que minhas bordas são fronteiras estrangeiras 

à mim. 


Assim como o espelho, eu a esperar que suas mãos 

me mostrem o que é pele.


Seduzida por todas as mães

que se apaixonaram pela criança que eu não me tornei. 



Tão simples como ter leves sensações 

de aconchego quando submersa por água. 



Sem temer que os outros vejam

meu desejo pelo que é

rasgado no chão, reajustando-se 

ao que parece ser um tapa. 

Não, nós não somos iguais, digo ao sol, 

quando atingido por um jorro de cimento. 



Sou mais semelhante à uma piscina vazia, 

à vigília de uma cidade sem nome, 

rezando por mergulhos em pleno ar.